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Vamos falar sobre…Assédio Moral Com Karina Uchôa-Colunista do imprensa livre

Nessa semana vamos falar de um fenômeno que infelizmente está tornando-se mais comum nas empresas e/ou instituições públicas: o assédio moral. Começou a ser estudado como Psicodinâmica do Trabalho, através das pesquisas de Christophe Dejours sobre saúde mental e sofrimento no trabalho na década de 70. Em 1978, ele publicou um artigo sobre o princípio do prazer no trabalho tema até hoje muito estudado em grupos de psicologia e psiquiatria laboral.

Apesar dos estudos feitos mundialmente, a questão do sofrimento no ambiente de trabalho ainda é considerada por alguns irrelevante, tendo em vista a necessidade de posicionamento no mercado e lucratividade, onde o(a) trabalhador(a) é tido em corporações que não estão antenadas com as mudanças de mercado, como uma peça que pode facilmente ser reposta.

Entretanto, sabe-se que a saúde do trabalhador e sua satisfação no ambiente de trabalho correspondem a aumento de lucratividade e em casos de instituições públicas efetividade, eficácia e eficiência, pois colaborador satisfeito realiza suas tarefas com disposição e sente-se pertencente aos resultados da empresa ou instituição pública ao qual pertence.

Muitas publicações de circulação nacional e internacional tem premiado as empresas e setores públicos que investem em suas equipes e proporcionam um local de trabalho mais saudável e esse reconhecimento faz com que os valores agregados através de investimento em treinamento, palestras, adequação as normas de conformidade e integridade entre outras ações reflitam-se em valorização junto aos acionistas, fornecedores, funcionários e clientes.

Atualmente, além da remuneração, os candidatos a vagas de emprego procuram saber sobre o ambiente de trabalho e isso tem inclusive sido anunciado como atrativo.

Mas, infelizmente temos casos onde o empregado, colaborador, funcionário e/ou servidor não recebe o respeito que merece e passa a ser vítima de superiores, colegas e/ou subordinados de assédio moral.

O assédio moral muito difundido no mundo inteiro por pesquisadoras(es) de renome como Marie-France Hirigoyen e Margarida Barreto através de seus estudos, mostram como o mal-estar no trabalho tem prejudicado a saúde das pessoas de forma geral, desde doenças como câncer, doenças cardíacas e ainda síndromes como a de burnout em que a pessoa assediada sente-se queimar e não tem mais interesse em estar ou retornar ao trabalho.

A sensação de desconforto e as dificuldades de relacionamento em nível profissional e pessoal, levam as vítimas de assédio a quadros de depressão e até mesmo suicídio e quem assedia e quem é assediado, não tem gênero nem idade, mas os dados comprovam que as mulheres são as maiores vítimas principalmente em países onde as disparidades de oportunidade de acesso ao emprego ou as colocações dentro do mercado de trabalho são maiores.

Precisamos falar mais sobre esse assunto e muitos movimentos estão sendo fortalecidos proporcionando oportunidades para que pesquisadores e militantes de combate ao assédio moral discutam o assunto, para que campanhas e programas de prevenção ao assédio moral sejam criadas e fortalecidas em esferas privadas e públicas.

Os canais de denúncia e ouvidorias são excelentes alternativas para que a vítima ou alguém que tome ciência da situação de assédio moral denuncie. Muitas pessoas infelizmente não contam com uma rede de apoio (amigos, familiares e colegas) que possa contribuir para não chegarmos a casos extremos como o suicídio de quem é assediado.

O Ministério Público do Trabalho conta com comissões de combate ao assédio muito eficientes, auxiliando a diminuição de casos e contribuindo para que essa violência perversa do cotidiano seja erradicada.

Não se cale! Assédio é violência! Denuncie!

 

Karina Uchôa é palestrante, pesquisadora do comportamento humano, instrutora de cursos nas áreas de Gestão de Conflitos, Assédio Moral e Sexual, Comunicação Não Violenta, Liderança Transformacional e Desenvolvimento de Equipes com atuação em todo o país. Especialista em Filosofia e Psicanálise, Educação e Direito. Contato: kari.uchoa@gmail.com

 

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