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Coluna palestrante Karina Uchôa: Vamos falar sobre…exaustão tecnológica

Ultimamente você tem percebido como está cada vez mais difícil lembrar de coisas simples como o número do celular do seu amigo ou ainda sua conta no banco e até mesmo quais os seus compromissos da semana? E como recorremos aos equipamentos mais próximos para nos lembrar disso?

Estamos utilizando a tecnologia como uma extensão de nossas mentes e consequentemente ficando cada vez mais reféns dela. Em 2010 o autor Nicholas G. Carr lançou a obra “O superficial: o que a internet está fazendo com nossos cérebros” onde ele alega que a internet está fazendo a humanidade ficar mais limitada cognitivamente.

Não podemos demonizar algo que surgiu para ficar, não tem volta, veio para auxiliar nossas vidas. A grande questão não é a internet, mas sim como usamos e o que fazemos com ela. E isso interfere desde nossa vida pessoal até nossos relacionamentos profissionais e como estamos no mercado de trabalho.

Muito tem sido dito sobre as profissões do futuro e como será o futuro de muitas profissões. Alguns de nós com certeza perderemos espaço, mas por outro lado surgirão oportunidades que hoje ainda não conseguimos vislumbrar. E nesses casos a tecnologia utilizada de forma consciente e de maneira moderada pode evitar a exaustão tecnológica pela busca de novos caminhos.

Existe um limite para tudo em nossa existência: temos em média 8 horas de sono (alguns mais outros menos), 8 horas em nossos trabalhos (hoje já temos o tele trabalho e outros modelos que atendem as necessidades empresarias) e 8 horas que ficam muitas vezes divididas entre nosso trajeto casa-trabalho-casa ou ainda atividades físicas, atenção a família, lazer, etc. Mas, nossa falta de autocontrole nos leva a ficarmos 2, 3, 6 horas conectados sem finalidade específica.

São muitas distrações e isso nos tira, como disse Nicholas Carr, o foco e a atenção necessária ao que realmente importa. Precisamos permitir sermos ignorantes em determinados temas e buscar, mas não fazer disso uma maratona incansável pelo saber supremo, o que é impossível e só vai proporcionar frustação e desconforto.

O cansaço físico é recuperável, entretanto o mental é mais complexo, pois não temos como medir com precisão o quanto nossa mente está cansada. E muitas patologias podem ser derivadas deste estado, o que justifica tanta gente afastando-se de seus ambientes de trabalho, resignificando suas carreiras e em casos mais graves até perdendo a vontade de trabalhar e viver. Com isso, é necessário ter momentos de “ócio criativo” com diz o brilhante Domenico De Masi: “Exercitamos atividades cada vez mais intelectuais, que implicam cansaço mental. E, para o cansaço mental, a compensação é justamente o ócio. (…) O Ócio Criativo é aquela trabalheira mental que acontece até quando estamos fisicamente parados”. (De Mais,2000)

Como disse Gilberto Gil nos anos 90 a internet veio para ficar: “Criar meu web site / Fazer minha home-page / Com quantos gigabytes/Se faz uma jangada/Um barco que veleje (…) Um barco que veleje nesse infomar / Que aproveite a vazante da infomaré / Que leve meu e-mail até Calcutá / Depois de um hot-link / Num site de Helsinque / Para abastecer” (…)”. Que a tecnologia seja usada com inteligência! Que não cheguemos à exaustão! Tem vida lá fora esperando por você!

Aproveite seu ócio! Preserve sua saúde física e mental! Seja feliz

Karina Uchôa, palestrante especialista em comunicação não violenta, gestão de conflitos, assédio moral e sexual e liderança.  Contato: kari.uchoa@gmail.com

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