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AGIOTAGEM: Polícia Civil prende organização criminosa

A Polícia Civil, por meio do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), deflagrou, na manhã de quinta-feira (10), a Operação “Cartagena”. O objetivo foi prender integrantes de uma organização criminosa internacional que pratica crimes contra a economia popular, como agiotagem, além de crimes contra o patrimônio e contra a pessoa, como extorsões, ameaças, entre outros.

Ao todo, 13 pessoas foram presas em flagrante, sendo 12 estrangeiros da Colômbia e do Equador, e foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária em Vila Velha, Aracruz e Itaipava (distrito de Itapemirim). Foram apreendidos aproximadamente R$ 280 mil em notas promissórias – algumas em branco –, além de seis celulares, 32 documentos de veículos dados como garantias dos empréstimos, cadernetas com anotações e diversos cartões de visitas de divulgação dos serviços.

O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho, parabenizou a ação da Polícia Civil. “Nós percebemos, nas investigações muito bem feitas pela equipe da Polícia Civil, que esses indivíduos praticavam situações que fazem dos capixabas vítimas de um crime perverso, principalmente, neste momento em que estamos vivendo de dificuldade financeira em todo o País, agravada a pela pandemia do novo Coronavírus”, disse.

Ramalho também falou sobre a ação suspeitos. “Esses indivíduos exploravam as pessoas mais humildes que pegavam R$ 1 mil e isso se transformava em R$ 40 mil e eles não conseguiam sair mais dessas dívidas. Além disso, usavam de extrema violência para fazer as cobranças das dívidas. Em um dos casos, o funcionário de uma loja adquiriu um empréstimo com eles e como não conseguiu pagar, eles foram na loja e levaram vários objetos. Ele e o dono da loja passaram a receber várias ameaças, inclusive  de morte. Para garantir o pagamento, eles iam nas casas das pessoas e pegavam tudo o que viam pela frente”, afirmou.

As investigações começaram a partir de uma denúncia recebida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon). “As investigações duraram seis meses. Assim que o titular da Decon, delegado Eduardo Passamani, descobriu o volume de pessoas e do que se tratava, ele compartilhou as informações com o Deic que também passou a investigar e chegou até essa organização criminosa que atua em diversos estados do País”, revelou delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.

Ainda segundo Arruda, a organização criminosa é bem dividida. “Cada integrante tinha uma função definida. Havia aqueles que exerciam a função administrativa, aqueles faziam o uso da força para fazer as cobranças das dívidas, as mulheres que faziam a persuasão para o empréstimo e ofereciam condições fácies para pagamento e aqueles que enviavam o dinheiro para fora do País”, informou.

De acordo com o delegado-geral, os detidos eram extremamente violentos. “Eles usavam a violência nas cobranças e também agiam de forma violenta contra os aqueles que vinham do país deles para agregar a organização criminosa, mas que, por algum motivo, não cumpriam as determinações internas. Portanto, essas prisões são muito importantes, pois retiramos da sociedade capixaba esses suspeitos extremamente violentos e cujas vítimas, em sua maioria, eram pessoas humildes”, destacou Arruda.

A ação contou com a participação da Polícia Federal. “Eles verificaram e identificaram todos os 12 imigrantes e constataram que um deles estava ilegal no País. Ele foi notificado e tem prazo de 60 dias para regularizar sua situação, caso contrário será deportado”, pontuou o titular do Deic, delegado João Francisco.

Os detidos foram autuados por organização criminosa e ainda serão investigados por extorsão e lavagem de dinheiro. Após serem ouvidos, eles foram encaminhados ao  Centro de Triagem de Viana (CTV).

 

O esquema

O titular do Deic, delegado João Francisco, explicou como  era o funcionamento da organização criminosa. “Eles colocavam uma mulher para divulgar e oferecer o valor aos comerciantes que estavam passando por alguma dificuldade financeira. Ela oferecia o dinheiro e dizia que o pagamento seria diário e, caso a vítima não conseguisse pagar a dívida naquele dia, ela poderia renegociar o valor. Só que na prática não era isso, pois se a vítima atrasasse um dia, ela  já era ameaçada, era extorquida e eles entravam e levavam  objetos do estabelecimento. Para isso, usavam de violência e, muitas vezes, estavam armados”, explicou.  

O delegado conta como eram feitos os empréstimos: “Por exemplo, se eles emprestassem R$ 1 mil,  no dia seguinte, a vítima começava a pagar diariamente a quantia de R$ 60,00  até completar 20 dias, ao final totalizando R$ 1.200,00. Dessa forma, na cabeça das pessoas elas estariam pagando 20% a mais da dívida como juros, porém como eles colocavam pagamento diário e não tinha abatimento do saldo devedor, no final do período dá uma taxa de juros muito maior do que 20%. E, ao final dos 20 dias, a vítima já pagou os 20% sem  ter o abatimento do valor total.”

O responsável pelo caso ressaltou que as investigações continuam. “Temos outros crimes a se apurar. Temos casos de pessoas que tiraram a própria vida porque não conseguiram pagar a dívida. Há ainda uma tentativa de homicídio cuja vítima era uma pessoa que estava no esquema, mas quis sair para montar o próprio. Estamos trabalhando em um  possível relação desses fatos com  os crimes praticados por essa organização criminosa”, complementou.

 

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