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ACIDENTE NO PARQUE:PC divulga laudo pericial de brinquedo que vitimou professora em parque em Itapemirim

A Polícia Civil, por meio da 9ª Delegacia Regional (DR) de Itapemirim, divulgou, na segunda-feira (02), o laudo pericial do brinquedo que vitimou a professora Miriam Oliveira em um parque de diversões, em Itapemirim, no sul do Estado. O documento aponta uma série de irregularidades do ponto de vista da segurança operacional e do projeto do equipamento. O parque não possuía autorização para funcionamento.

Além da professora, a filha dela de 12 anos também ficou ferida após serem arremessadas do brinquedo enquanto estavam no parque no dia 1º de fevereiro. De acordo com o responsável pelo exame em sistemas mecânicos, o perito oficial criminal Temístocles Macedo Netto, da Seção de Engenharia Forense, assim que o local foi analisado, foi possível constatar que o brinquedo não tinha condições estruturais que garantisse a segurança dos usuários.

“Não havia um sistema de proteção individual, como cinto de segurança. O que existia era apenas uma barra de proteção coletiva. Também não existia nenhuma orientação em relação às crianças, especificando a altura e o peso mínimo para que elas utilizassem o brinquedo. O equipamento não possuía documentação específica, como o manual. Além disso, o local não tinha uma área restrita que evitasse a circulação de pessoas ao redor do brinquedo, como, por exemplo, uma faixa zebrada embaixo do equipamento”, destacou Netto.

O perito oficial criminal informou, ainda, que o freio e o acionamento do brinquedo eram muito parecidos e que facilmente poderiam ser confundidos. “Somente as cores deles eram diferentes, não havia distinção entre as duas alavancas. Em uma situação de estresse, o operador poderia confundi-las. Além disso, o brinquedo não tinha um sistema de parada de emergência. Em qualquer equipamento é possível que ocorra um erro de operação, pois a falha humana deve ser prevista. Porém, em um projeto e no planejamento operacional de uma máquina a falha deve ser prevista e o equipamento tem que ser capaz de evitar que um acidente aconteça”, afirmou.

Além disso, Netto informou que o brinquedo não estava adequado à norma brasileira definida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT NBR 15926:2011.  “O brinquedo era antigo e foi projetado antes da regra entrar em vigor”, informou.

O responsável pelas investigações, delegado Tiago Viana, acrescentou que, além das falhas mecânicas, foi apurado que o operador do brinquedo, um jovem de 23 anos, havia ingerido bebida alcoólica antes do trabalho. “Ele confessou ter feito a ingestão da substância alcoólica, mas afirma que isso não afetou o seu trabalho e que houve falha mecânica tanto na alavanca de aceleração do equipamento como na alavanca de freio”, contou.

Ainda segundo Tiago Viana, testemunhas afirmam que o brinquedo ligou normalmente. “No entanto, em um dado momento, a máquina começou a girar rapidamente, colocando em risco a segurança das vítimas, que começaram a sacudir com muita intensidade. Ao perceber o movimento desproporcional, o marido de Miriam e pai da menina gritou para que o homem desligasse o brinquedo, o que não aconteceu”, afirmou.

O delegado acrescentou que o inquérito foi concluído. “O proprietário do parque foi autuado por homicídio culposo qualificado, lesão corporal culposa e exercício ilegal da profissão. Já o operador do brinquedo foi indiciado por homicídio culposo qualificado e lesão corporal culposa”, finalizou.  

Os exames periciais foram realizados na presença do proprietário do parque e com a presença de dois engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Espírito Santo (Crea-ES). 

Mãe e filha foram arremessadas de brinquedo

O acidente aconteceu no dia 1º de fevereiro quando mãe e filha foram arremessadas do brinquedo “Surf”, em um Parque de Diversões, em Itapemirim. A professora Miriam Oliveira, de 38 anos, morreu no local, após cair sobre a plataforma do brinquedo. Já a filha dela de 12 anos, caiu no chão, foi socorrida, levada para o Pronto Atendimento da Prefeitura de Itapemirim e encaminhada ao Hospital Infantil com o pai, onde permanece internada.

Na época, o operador do brinquedo e o proprietário do local, um homem de 50 anos, foram autuados, em flagrante, encaminhados para a delegacia e liberados após audiência de custódia para responderem ao processo em liberdade.

 

 

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